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Que eles existem não é novidade nenhuma. Seus “autores” copiam mesmo na cara dura, textos completos de outros blogs ou portais de notícias e a maioria sequer cita a fonte; alguns por ignorância e outros por má fé mesmo.
Recentemente vivenciei isso com mais profundidade. O Blog NaTV foi citado numa matéria da Folha de São Paulo. Claro, isso trouxe muitas visitas oriundas do site do jornal, mas pra meu espanto a matéria ainda atrai muitas visitas, só que não mais apenas do site da Folha. O texto da matéria continua sendo copiado por vários e vários blogs e conseqüentemente os links para o Blog NaTV seguem sendo replicados e gerando novos cliques para o meu site.
Por um lado egoísta isso é muito bacana, afinal faz meu blog ficar cada vez mais conhecido. Mas como blogueiro isso não me agrada. Já não é fácil para todos nós sermos vistos como pessoas que levam o blog a sério, de forma profissional – principalmente gerando conteúdo relevante – e aí aparecem esses “escritores de Ctrl + C, Ctrl + V”.
Eles estão aí, não dá pra negar nem mesmo expulsa-los. Querendo ou não eles fazem parte da blogosfera. Assim como os miguxos e seu blogs mais miguxinhos ainda, que se juntarmos ao grupo anterior, provavelmente os dois devem formar maioria mesmo. O problema é a generalização que ocorre, principalmente nas empresas seja como anunciante, provedora de conteúdo ou quando se trata de blogs corporativos. O que nós mais ouvimos por aí é que blog não é coisa séria ou que é coisa de adolescente. Blog é uma bobagem. Não é.
Um estudo das empresas Hotwire e Ipsos revelou que mais de 25 milhões de adultos no Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Espanha mudaram de opinião sobre alguma empresa ou produtos depois de ler comentários ou críticas inseridos em blogs. Um terço dos internautas europeus (40 milhões) afirmou que decidiram não comprar um produto depois de ler os comentários colocados na internet por outros consumidores e 56% comprariam um produto se ele tivesse bons comentários no mundo on-line. Outra das conclusões do estudo é que 24% consideram que os blogs são uma fonte de informação confiável, perdendo apenas para artigos de imprensa (30%), mas sendo mais influentes que a publicidade televisiva (17%) e o e-mail marketing (14%). Sem falar que esses dados são de novembro de 2006 (não encontrei mais novos). Esses números já devem ter aumentado.
Um blog pode falar bem de uma empresa/produto/serviço, mas também pode falar mal, e inserido na web, um consumidor insatisfeito pode atingir até 220 pessoas ao falar mal de uma empresa, número muito maior que falando pessoalmente, quando ele atinge cerca de 10 pessoas. As empresas não devem dar as costas para o que falam – bem ou mal – delas em blogs e redes sociais (orkut, twitter, etc.). Quando falam bem, surgem oportunidades de branding. Quando falam mal são ótimas fontes de pesquisa para saber o que não está agradando os consumidores. Obviamente o post pago não é a solução pra todos os problemas. Não que eu seja contra o post pago, apenas sou contra os que vendem a opinião junto ao espaço do blog – os que fazem isso caem na mesma banda podre dos chupins e dos miguxos.
Nem só de blogs chupins vive a blogosfera brasileira. Há muitos blogs por aí que oferecem excelentes oportunidades para as empresas anunciarem. Bem verdade que nem todos os blogueiros têm conhecimento de como explorar seus sites como mídia, mas alguns já estão se mexendo e montando midia kits enquanto ainda são pouquíssimas as agências de publicidade que funcionam como intermediárias entre os blogs e os anunciantes. As oportunidades são inúmeras. Porém, é preciso que cada vez mais blogueiros bons descubram o potencial de suas páginas e mais empresas entendam a internet como uma grande plataforma de interação com seus consumidores e não mera extensão de campanha offline. Pode até soar utópico, mas quem sabe assim a “blogosfera” seja um ambiente livre de chupins que criam blogs só pra ganhar dinheiro com seus programas de afiliados e se torne um espaço para aqueles que realmente geram conteúdo relevante. Tanto para leitores quanto anunciantes.
Pedro Araujo